quarta-feira, 31 de julho de 2013

Talvez os animais só precisem de tempo de qualidade com amigos

10:38

Por Christopher Kelly (publicado em 27 de julho de 2013)

Os visitantes humanos viram o leão adulto levantar-se de sua soneca e caminhar para a frente de um recinto de madeira no terreno de 50 acres do International Exotic Animal Sanctuary, a cerca de 40 minutos do norte de Forth Worth (Texas, Estados Unidos). Ele emitiu um barulho que pode ser considerado algo entre um rosnar e um suspiro. Ele mal mostrou os seus dentes.

Este é o momento em que a maior parte dos visitantes dá um passo para trás.

Louis Dorfman, especialista em comportamento animal e diretor desta organização sem fins lucrativos, deu um passo para frente e entrou. O leão calmamente se esgueirou ao lado dele.
"Parece que ele fazendo isso é somente uma forma de dizer: Está ok. Eu te reconheço. Eu te respeito. Estou feliz em te ver”, ele diz.

Louis Dorfman, autodidata em comportamento animal, no Santuário Internacional de Animais Exóticos.

Sr. Dorfman, 75, assumiu um papel importante no International Exotic Animal Sanctuary há 17 anos. Embora seja formado em Direito e atualmente seja presidente da Dorfman Production Company, em Dallas (Texas), ainda consegue dedicar várias horas para divulgar sua filosofia pessoal de cuidados com os animais que ele chama de "enriquecimento emocional”.

A ideia é que os tratadores desenvolvam uma relação de respeito mútuo com os animais, acompanhando-os para evitar que eles se sintam isolados em seus cativeiros. Dorfman interage pessoalmente com os mais de 78 animais do santuário, tocando narizes com ursos ou tirando uma soneca com os grandes felinos. Ele também encoraja os membros de sua equipe a prestarem atenção no humor e na personalidade dos animais.

"Não tento treiná-los. Não dou mimos para eles. Também não dou nenhum incentivo, além da relação emocional", diz Dorfman. "Os animais optam por modificar o seu comportamento porque eles querem que eu fique com eles".

Os esforços de Dorfman para promover suas ideias e vê-las se transformarem em práticas comuns parecem estar ganhando força. No mês passado, o santuário teve um considerável aumento de publicidade, quando acolheu 11 ursos que tinham sido brutalmente maltratados no Chief Saunooke Bear Park, na Carolina do Norte.

Enquanto isso, a Associação de Zoos e Aquários (Association of Zoos & Aquariums em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos) está supervisionando uma série de estudos experimentais, parcialmente financiados por Dorfman, sobre enriquecimento emocional. Alguns dos estudos exploram a neurociência como agente para estabelecer um comportamento mais relaxado.

Muitos tratadores dos Estados Unidos empregam suas próprias variações das técnicas. Mas o enriquecimento emocional ainda não está sendo praticado ou ensinado em nível institucional nos zoológicos ou nos programas de ciências animais das universidades - algo que Dorfman gostaria de ver mudar. Espera-se concluir a primeira parte dos estudos no próximo ano.

"As pessoas das comunidades dos zoológicos começaram a pensar em melhoramentos para os animais 20 anos atrás", diz Paul Boyle da Associação de Zoos e Aquários citando práticas agora amplamente divulgadas como oferecer aos animais de zoológicos brinquedos para se distraírem ou esconder sua comida para reproduzir a experiência de procurar alimentos na natureza.

De acordo com o Dr. Boyle, vice-presidente sênior da associação para a conservação e educação, as teorias do Sr. Dorfman representam "uma evolução natural, e muitas instituições estão pensando sobre isso”.

No entanto, a visão de Dorfman agachado ao lado de um urso pardo e batendo sua cabeça enquanto ele come um almoço de carne crua, melão e abacate, pode ser chocante.

De fato, existem inúmeras histórias de relações entre humanos e animais que não foram bem sucedidas. Elas incluem a morte do naturalista Timothy Treadwell, que passou 13 verões no Alasca vivendo com os ursos marrons do noroeste dos Estados Unidos antes que eles o matassem, e o espancamento do ilusionista Roy Horn, em 2006, por um dos tigres brancos de Bengala numa apresentação no Siegfried e Roy em Las Vegas.

Dorfman justifica que tragédias como estas ocorrem quando humanos param de prestar atenção aos sinais que os animais nos enviam, ou quando eles romantizam suas relações com estas criaturas. Nem todos os profissionais têm o temperamento necessário para chegar perto dos animais como ele, reconhece Dorfman, mas ele acredita que o enriquecimento emocional pode ser praticado sem contato direto.

"Eu não diria que existe uma resistência ao que estamos fazendo, mas diria que existem algumas pessoas que não entendem” diz Richard Gilbreth, diretor executivo do santuário. “O problema é que quando alguém tem medo de algo, em geral, é porque não entende o que esta acontecendo”.

Em uma manhã recente, os animais pareciam responder favoravelmente aos métodos de Dorfman. Depois de apenas um mês em sua nova casa, disse Dorfman, os ursos da Carolina do Norte estavam mais sociáveis e relaxados.

Quanto aos grandes felinos, Dorfman escoltou um visitante - juntamente com o Sr. Gilbreth e Nissa Marione, chefe dos tratadores - a um grande cercado e instruiu o grupo a esperar do lado de fora da cerca. Poucos minutos depois, ele surgiu ao longe, caminhando ao lado de um tigre branco de Bengala de 500 libras. Tirando as diferenças entre as espécies, eles pareciam dois conhecidos de longa data passeando pelo parque durante a tarde.

"Eu sei quando os grandes felinos estão se sentindo irritados”. Eu sei quando eles estão se sentindo perfeitamente contente e querendo dizer oi, disse Marione atrás de um muro quando viu Dorfman. "Mas em termos de ser capaz de fazer o que ele está fazendo agora, eu nunca seria capaz de fazer o mesmo".

Fonte: NY Times
Tradução: Patricia Tomisawa
Revisão: Evadne Azeredo Will

Written by

We are Creative Blogger Theme Wavers which provides user friendly, effective and easy to use themes. Each support has free and providing HD support screen casting.

0 comentários:

 

© 2013 Espaço VetZoo. All rights resevered. Designed by Templateism

Back To Top