segunda-feira, 6 de maio de 2013

Fundação promove Fórum da Rede Brasileira de Bibliotecas Virtuais em Saúde

12:09

Cartaz da Rede BVS Brasil
Com o intuito de discutir ações em prol do fortalecimento e sustentabilidade da Rede Brasileira de Bibliotecas Virtuais em Saúde (BVS), a Fiocruz, por meio de sua Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação (VPEIC) e do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), promoveu, nos dias 25 e 26 de abril, o primeiro Fórum da rede BVS Brasil. No encontro, foram apresentados os resultados de pesquisa realizada com as instâncias participantes da rede, além dos desafios e perspectivas em prol de sua sustentabilidade. Também foram definidas as principais demandas e eixos estratégicos que devem ser contemplados por ações em prol do fortalecimento e manutenção da rede, que tem como principal objetivo convergir as BVS temáticas brasileiras e integrar suas redes de fontes de informação em saúde, por meio do Portal da BVS Brasil. Fruto da evolução da cooperação técnica em informação em ciências da saúde conduzida pela Biblioteca Regional de Medicina (Bireme), da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), a rede é composta por 34 BVS segmentadas por área temática e institucionais. A Fiocruz participa com mais de dez bibliotecas virtuais em saúde.

Na abertura do evento, o diretor da Bireme, Adalberto Tardelli, destacou que a Rede BVS Brasil representa a Bireme, sendo a continuação de um serviço prestado pela instituição há mais de 46 anos, que é visto atualmente como um bem público regional. Ele ainda lembrou que o Brasil detém 1/4 das BVS das Américas, sendo que destas 1/3 pertence à Fiocruz. “A importância deste encontro se dá pela dimensão da rede e pela ocorrência dele na própria Fiocruz. O objetivo é pensarmos em como vencer nosso principal desafio: a sustentação dessa imensa rede já instaurada”, disse. A vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação, Nísia Lima, falou da importância que o Ministério da Saúde e a Fundação atribuem ao encontro. “Vamos unir esforços para os desafios aqui colocados para que a Rede BVS Brasil ganhe em revisões e sustentação. Esse esforço cooperativo é o principal papel da área de informação em saúde”, declarou.


No evento foram apresentados os resultados de pesquisa realizada pela Rede Biblioteca Virtual em Saúde com 22 instâncias participantes da rede (Foto: Peter Ilicciev)

A coordenadora da Coordenação-Geral de Documentação e Informação do Ministério da Saúde (CGDI/MS), Eugênia Calazans, assinalou que o trabalho em rede é desafiador e que a expansão da rede é benéfica. “Um dos desafios é pensar sempre na necessidade de integração das diversas BVS existentes, institucionais ou temáticas, de forma que o conhecimento gerenciado por todas esteja acessível ao cidadão, pesquisadores ou profissionais de saúde”, disse. Também presente à mesa de abertura, o gerente de gestão de conhecimento e comunicação da Opas/Brasil, Nando Campanella, ressaltou que a informação em saúde é primordial para o trabalho dos profissionais de saúde, daí a importância do fortalecimento e da busca por melhorias da Rede BVS Brasil. “A informação em saúde é um serviço primordial para o empoderamento do SUS. A Rede BVS Brasil é um grande projeto de saúde e a Opas está muito comprometida com o país no apoio a essa iniciativa”, afirmou.

Panorama da Rede BVS no Brasil

No evento foram apresentados os resultados de pesquisa realizada pela Rede Biblioteca Virtual em Saúde com 22 instâncias participantes da rede. O resultado da pesquisa – que mensurou aspectos como identificação, governança, estrutura tecnológica, operacionalização, cooperação e intercâmbio, conteúdos e gerenciamento das BVS – foi apresentado pela coordenadora da BVS/Icict/Fiocruz, Luciana Danielli de Araujo. Os dados indicaram que a maior parte do público alvo das Bibliotecas Virtuais em Saúde é constituída por profissionais de saúde, 91% delas têm comitê consultivo e 77% comitê executivo, 91% têm comitê de governança, 48% estão hospedadas em servidor próprio e 68% utilizam o sistema operacional Linux.

Os resultados também apontaram que a maior parte das BVS tem equipe com até cinco pessoas – constituída em sua maioria por bibliotecários – e tem como principal fonte de recursos financeiros o Ministério da Saúde. Ainda de acordo com a pesquisa, 77% faz uso de ações de promoção e divulgação, 54% participam de eventos, 68% contam com recursos (humanos e financeiros) próprios e 64% não contam com instituições de fomento. A maioria (11) participa das redes sociais por meio de Espaço Colaborativo, seguidos pelo Facebook (7) e Twitter (5). A maior parte das bibliotecas (9) apontou o apoio à promoção da Biblioteca Virtual em Saúde como principal forma de colaboração da rede para o fortalecimento da BVS, seguidos pelo suporte tecnológico (5), capacitação (4), eventos da rede (3), desenvolvimento de projetos de colaboração (3) e cooperação com agências de fomento (2). Os resultados ainda mostraram que grande parte das BVS atualiza seu conteúdo semanalmente e 68% têm fontes de informação próprias.

Também presente ao painel Panorama da Rede BVS no Brasil, a coordenadora da Bireme/Opas/OMS, Cláudia Guzzo, apresentou um histórico das reuniões do grupo e alguns informes sobre a quarta reunião do Comitê Técnico, criado para apoiar o desenvolvimento da Rede BVS no Brasil por meio do intercâmbio de experiências e expansão do modelo. Na reunião foram abordados os principais compromissos, resultados e pontos de debate da rede, entre eles, o desenvolvimento de ferramentas e interfaces mais intuitivas, a realização de estudos de usuários, o maior uso de redes sociais para a divulgação da rede e a tradução de conteúdos considerando novas fontes e a potencialidade da rede BVS.

Avanços e fragilidades das Bibliotecas Virtuais em Saúde

Em busca do fortalecimento e manutenção da Rede de Bibliotecas Virtuais brasileiras, os participantes do fórum promoveram uma discussão sobre os principais avanços, fragilidades e desafios da rede. A falta de recursos humanos e de captação de parceiros para alimentação da base, recursos e apoio financeiros escassos, além das necessidades de maior interação entre bibliotecários, pesquisadores e usuários e entre os Comitês Consultivo e Executivo, e de maior capacitação e treinamento de pessoal foram alguns dos pontos negativos mais destacados pelas BVS. “O RH especializado é nossa grande dificuldade. Dispomos de recursos do Ministério da Saúde, mas encontramos dificuldades de encontrar um profissional especializado e que deseje trabalhar com isso”, relatou a coordenadora da BVC Saúde do Adolescente. “É importante que a BVS seja modernizada, disponha de recursos e de capacitação profissional. Os cursos de biblioteconomia devem incluir uma disciplina de BVS”, sugeriu.

Entre os avanços, foram mencionados, entre outros, o crescimento do acesso à BVS, a realização de reuniões entre os comitês e a disponibilização de equipamentos. “Dispomos de equipamentos de trabalho muito bons e somos fortes em capacitação técnica. Elaboramos documentos de compromisso de cooperação para que as instituições de fato se comprometam, podemos compartilhar essas iniciativas com outras BVS para fortalecê-las”, sugeriu a coordenadora da BVS Psicologia, Maria Imaculada Sampaio. Já como desafios foram destacados o processo de certificação, a dificuldade de participação em eventos técnicos, e a criação de condições políticas, de gestão, de financiamento, metodológicas, tecnológicas e de operação que viabilizem a convergência em rede das instituições e indivíduos. “É importante nossa participação nesses encontros para promovermos a ferramenta, mas acabamos concorrendo com eventos da mesma área que ocorrem no mesmo ano”, contou Sergio Sindico, da BVS Aleitamento Materno, do Icict e IFF/Fiocruz.

Futuras ações para a sustentabilidade da rede

No painel sobre os desafios e perspectivas com vistas à sustentabilidade da Rede BVS Brasil, a coordenadora da BVS Integralidade, Roseni Pinheiro, lembrou que a rede faz parte do processo de democratização da informação no país e assume importância fundamental uma vez que compila um conjunto de temáticas absolutamente candentes e que estão em discussão no campo da saúde pública no Brasil. “Estamos vivenciando um momento único de ampliar nossos laços e fortalecer as bibliotecas virtuais, que são instituições que tentam diminuir a lacuna entre comunicação e informação”, disse.

Gerente da Bireme/Opas/OMS, Renato Murasaki salientou que 28% das Bibliotecas Virtuais em Saúde estão no Brasil e alertou para os desafios que precisam ser enfrentados por essas instituições. “Precisamos buscar soluções abertas e livres com fortes comunidades mantenedoras, desenvolver e aperfeiçoar capacidades,  assumir papel de liderança, advocacia, governança, dispor de recursos humanos, tecnológicos e financeiros, inovar, compartilhar soluções e boas práticas e obter alianças estratégicas”, propôs.

O encontro também contou com discussão segmentada por quatro áreas temáticas: Governança da Rede BVS Brasil, Fomento da Rede, A História da Rede e Registro da Produção Científica e Técnica em Saúde Nacional. Os participantes da Rede discutiram e definiram iniciativas para dar sequência à linha de ação presente nos termos de referências criados para cada uma dessas temáticas. “A ideia é definir quais são nossas demandas e eixos estratégicos em prol da manutenção e fortalecimento da rede”, explicou Paula Xavier, da vice-presidência de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz. No que se refere às temáticas Publicações sobre a BVS Brasil e História da Rede, a proposta é publicar um livro que buscará recompor a trajetória da Rede BVS no Brasil, seus atores, principais questões, avanços, tensões e êxitos, bem como a edição de um número temático da Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, do Icict/Fiocruz, dedicada exclusivamente ao tema da Rede BVS no Brasil.

Para uma melhor governança da BVS Brasil, as BVS se comprometeram a adotar um plano de trabalho comum que seja orientador das ações que serão realizadas, desenvolver uma Matriz de responsabilidades da rede, adotar uma Secretaria Executiva rotativa, criar um comitê consultivo da rede BVS no Brasil para definir as linhas de ação e diretrizes de desenvolvimento da BVS, entre outros. Com vistas ao melhor fomento da rede, foram propostos, entre outros pontos, a normalização dos dados para evitar duplicações, a implantação de ações de fomento para se pleitear recurso com o Ministério da Saúde e outras agências de fomento, além da realização de mapeamento de editais e análise da possibilidade de desenvolver com o governo editais para o fortalecimento das BVS no Brasil.

Texto: Danielle Monteiro

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