quarta-feira, 24 de abril de 2013

Um pacote virtual para o estudo da mente canina

13:49


Em 1995, Brian Hare começou a se perguntar o que o seu cão Oreo estava pensando.


Na época, ele estava no segundo ano na Emory University e estudava psicologia animal com Michael Tomasello.  Dr. Tomasello comparava a inteligência social dos seres humanos e outros animais.


A esta altura, sabia-se que os seres humanos são extremamente sensíveis a sinais provenientes de outros seres humanos. Usamos essa informação para resolvermos problemas que temos dificuldades em cobrir por conta própria.


Brian Hare,professor associado da Universidade de Dukee e chefe científico do escritório da Dognition, conduzindo a brindadeira "folder game" com Finley.

Dr. Tomasello descobriu que chimpanzés, nossos parentes vivos mais próximos, normalmente não conseguem perceber este tipo de informação social.  Por exemplo, apontar para o local onde uma banana está escondida geralmente não vai ajudar um chimpanzé encontrá-la. Talvez este teste de apontar tenha revelado algo importante sobre a evolução mente humana.

Mas Hare tinha suas dúvidas. "Eu acho que o meu cão pode fazer isso", declarou.

Para convencer o seu mentor, ele gravou Oreo perseguindo bolas de tênis. E, de fato, quando ele apontou para a esquerda ou direita, o cachorro corria para encontrar a bolinha na direção indicada.

Ele, então, continuou a experiência com comida escondida sob copos em sua garagem. Logo após Hare apontar, Oreo e outros cães (incluindo alguns que nunca tinha visto Hare) escolhiam repetidamente o copo correto.

Depois de terminar seu doutorado em antropologia biológica em Harvard, Dr. Hare e seus colegas finalmente publicaram seus resultados: Cães podem realmente passar no teste de apontar, enquanto os lobos, seus parentes selvagens, não.

Dr. Hare, professor associado na Universidade Duke, continuou a investigar a mente canina, mas sua pesquisa é restringida pelo número de cães que ele pode estudar. Agora, ele espera ampliar sua pesquisa exponencialmente com a ajuda de donos de cães do mundo todo. Ele é o diretor científico de uma nova empresa chamada Dognition, a empresa possui um site em que as pessoas podem testar o conhecimento do seu cão, saber mais sobre seus animais de estimação e fornecer a Hare e seus colegas dados científicos sobre dezenas de milhares de cães.
 “Por causa do grande volumes de dados, podemos fazer perguntas que ninguém poderia ter a chance de olhar", diz o pesquisador.

A partir de sua pesquisa anterior, Dr. Hare argumenta que os cães evoluíram sua inteligência social de manneira extraordinária, uma vez que seus ancestrais começaram permanecer longos períodos em torno das comunidades humanas primitivas. Como ele e sua esposa, Vanessa Woods explicam em seu novo livro, "The Genius of Dogs", a seleção natural favoreceu os cães que melhor entendiam as intenções dos seres humanos.

Embora esta evolução tenha dados aos cães esta percepção cognitiva, ela não os tornou mais inteligentes no geral. "Se você compará-los com os lobos individualmente, eles parecem idiotas", disse Hare. "Mas se você, em seguida, mostrar-lhes um ser humano para resolver o problema, eles são gênios."

Para explorar mais a cognição  dos cães, ele montou o Duke Canine Cognition Center (Centro de Cognição Canina Duke) em 2009. Ele e seus colegas construíram uma rede de 1.000 donos de cães dispostos a trazer seus animais de estimação para testes.

Dr. Hare começou a investigar novas questões sobre cães com este novo volume de cães voluntários. Com uma bolsa do Office of Naval Research (Escritório de Pesquisa Nval), por exemplo, ele está estudando formas para identificar cães para trabalhos como a detecção de bombas.

"Eles passam dois anos tentando preparar esses cachorros, mas a maioria dos programas perder 7 cachorros em cada 10", disse ele. "Talvez eles não possam entender os comandos, ou talvez eles não possam entender o ponto de vista dos seres humanos."

Ele está tentando encontrar o "estilo cognitivo"  de serviço dos cães bem-sucedidos. Para isso, ele e seus colegas desenvolveram uma bateria de 30 testes que levam quatro horas para serem aplicados. Eles testaram 200 cães e estão à procura de marcas que definam os cães aptos para a atividade.

Segundo Hare, ele forou a Dognition, em parte por causa do interesse dos treinadores de cães que lhe perguntavam se eles poderiam testar o estilo cognitivo de seus próprios cães.

Os testes estão agora disponíveis online: com o pagamento de uma taxa, os donos de cães obtém um vídeo com instruções para saber como realizar os testes (além do teste de apontar, eles incluem um teste em que proprietário boceja e, em seguida, observa se o cão também o faz, um sinal potencial de que o cão e o proprietário estão fortemente ligados). A empresa analisa os resultados comparando como um determinado cão com os outros em seu banco de dados para qualidades como empatia e memória.

No entanto, nem todo especialista está convencido de que tais decisões objetivas possam ser adquiridas a partir de pesquisa que ainda está em seus estágios iniciais.

“Para mim, a parte de ser um cientista de cachorros é reconhecer o quão pouco sabemos sobre sua cognição ", disse Alexandra Horowitz, especialista em cognição do cão no Barnard College. "Eu gostaria de ver uma empresa que tenta fortalecer as relações entre cães e pessoas animando as pessoas com o fato de que a ciência está apenas começando a investigar a mente de um cão, e nossa compreensão atual é mínima. Seria justo admitir quão misteriosa essa outra mente realmente é. "

Dr. Hare concorda que os donos de cães não devem olhar para os testes como um equivalente canino dos SATs[1]. "O que estamos desesperadamente tentando é ficar longe  do " Seu cão é um 99, e seu cão é de 20 e 99 é melhor do que 20 '", diz ele. "Talvez um estilo cognitivo é melhor em um contexto que o outro."

Adam Miklosi, especialista em cognição do cão na Unversidade de Eotvos Lorand em Budapeste e consultor científico da Dognition, diz que os testes não devem ser prescritivos. "Não é como um número de telefone para ligar para consertar sua máquina de lavar ", diz ele. "É uma coisa divertida de se fazer."

Dr. Hare diz que seu objetivo principal é construir um banco de dados que irá lançar luz sobre questões de longa data sobre o comportamento, reprodução e genética - por exemplo, se os estilos cognitivos de várias raças podem ser ligados a seus genes. (Dr. Miklosi adverte, porém, que os dados que vem de pessoas jogando games com seus cães em sua sala de estar não serão cuidadosamente controlado como as experiências realizadas pelos cientistas em seus laboratórios).

Dr. Hare diz que uma hipótese já surgiu a partir de usuários de Dognition. A surpreendente ligação de empatia e decepção que aparece nos cachorros. Os cães que são mais ligados aos seus donos são mais propensos a observar os seus donos pra roubar comida. "Eu não teria pensado para testar essa relação em Duke, mas com Dognition pudemos pensar nisso", diz Hare.

Como a ciência da cognição do cão vem ganhando destaque, Dr. Hare espera que os cientistas possam usar o Dognition para compartilhar os seus conhecimentos com treinadores de cães. Treinamendo de cães com bases científicas, podem considerar no que os cães são bons, no que são ruins e os preconceitos que influenciam suas mentes.

Texto: Carl Zimmer
Tradução: Evadne Azeredo Will
Revisão: Patricia Naomi Tomisawa

Disponível vídeo com entrevista do pesquisador no site do NY Times.




[1] Scholastic Aptitude Test ou Scholastic Assessment Test – é um exame educacional padronizado nos Estados Unidos aplicado a estudantes do 2º grau, que serve de critério para admissão nas universidades norte-americanas (Wikipedia).

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