segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Médicos veterinários e médicos encontram paralelos em suas pesquisas

17:27



Por três vezes nos últimos dois meses, médicos pesquisadores do St. Luke’s-Roosevelt Hospital Center em Manhattan atravessaram a cidade até o Animal Medical Center para observar olhar os cachorros.

Médicos do hospital do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center se sentiram atraídos pela chance de estudar anomalias de veias e artérias que são raras em humanos, mas comuns em cachorros. E o intercâmbio entre hospitais humanos e veterinários também ocorre no sentido oposto: no mês passado, veterinários do Animal Medical Center começaram a se reunir com seus colegas no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center para  observar os testes com aparelhos não invasivos para remoção de tumores do trato urinário através de impulsos elétricos.

Dr. Jonathan M. Levine at Texas A&M  estuda leões na espinha em animais como Dexter, um dachschund.
Trocas como estas estão se tornando cada vez mais comuns. Uma vez que corajosos pioneiros já avançaram por esta estreita trilha, as conexões entre faculdades de veterinária e instituições médicas se tornaram grandes vias de tráfego nos últimos cinco anos ou mais, com um fluxo constante de pesquisadores de ambos os lados em diversas áreas médicas.


Uma das razões é a crescente frustação com a ineficiência dos modelos de pesquisa de laboratório em roedores que, frequentemente, falham em reproduzir as reações humanas. Assim os pesquisadores estão voltando sua atenção para ocorrências naturais de doenças em cães, cavalos, ovelhas e porcos, cuja fisiologia e anatomia mais se assemelham aos dos seres humanos.

“As drogas curam os ratos, mas continuam falhando quando testadas em humanos,” disse Dr. John Ohlfest, um imunoterapeuta do Masonic Cancer Center da Universidade de Minnesota, que começou um trabalho com a faculdade de veterinária da universidade em 2005 para estudar câncer no cérebro de cachorros. “O sistema todo é falho.”

Dr. Laurence J. N. Cooper, que desenvolve terapias imunes no M. D. Anderson Cancer Center em Houston e, recentemente, iniciou a produção de células T caninas para pesquisar linfomas na Faculdade de Veterinária Texas A&M’s, disse: “Deve existir uma maneira melhor. A biologia canina é semelhante à nossa e o tratamento também.”

A crescente percepção de que veterinários e médicos possam ter ótimas razões para conversar entre si, levou a uma série de projetos de pesquisa colaborativa visando acelerar a jornada entre o laboratório e os testes clínicos em humanos para, no final, produzir resultados aplicáveis tanto para humanos quanto para animais.

Esses projetos, muitas vezes surgem de parcerias como o Programa de Oncologia Comparada do National Cancer Center (National Cancer Center’s comparative oncology program), criado em 2006 para coordenar testes de câncer canino entre os 20 centros de oncologia em todo os Estados Unidos, ou o Centro de Medicina Comparativa e Pesquisa Translacional da Faculdade de Medicina Veterinária da North Carolina State University (Center for Comparative Medicine and Translational Research at North Carolina State University’s veterinary college), que assinou recentemente um acordo de parceria com o Instituto de Medicina Regenerativa da Wake Forest Baptist Medical Center (Regenerative Medicine at Wake Forest Baptist Medical Center) para pesquisar sobre regeneração de órgãos em humanos e animais domésticos. 

“No passado, eu poderia ter ido para a escola médica com um problema específico e pedir conselhos", diz Dr. Larry D. Galuppo, cirurgião da equipe na Universidade da Califórnia, que tem feito experiências com as mais recentes terapias de células-tronco para reparar lesões tendíneas em cavalos. "Mas isso não era programado como é agora".


Não é raro, nos dias de hoje, para os veterinários chamarem seus colegas da medicina humana para consultas ou mesmo para participar em operações complicadas. Veterinários circulam em hospitais para pessoas, e vice-versa. Ambos participam de conferências um dos outros. “Ainda é muito embrionário, muito novo, mas é muito excitante,” diz Dr. Ohlfest.

Em parte, a proliferação de parcerias reflete um movimento filosófico conhecido como "one health", ou "one medicine", o reconhecimento de que cerca de 60 por cento de todas as doenças deslocam-se entre as espécies e de que a poluição ambiental, doenças de animais e humanas se interconectam e acabam por constituir em um único problema.

Este foi o tema da declaração conjunta da Associação Médica Americana (American Medical Association) e a Associação Americana de Médicos Veterinários (American Veterinary Medical Association) em 2006 visando o compartilhamento de informações e incentivando projetos conjuntos entre os ramos distantes da medicina veterinária e humana.

Mais concretamente, a conclusão do mapa do genoma canino, em 2005, desencadeou uma explosão em pesquisa básica. Embora menos comemorado do que o Projeto Genoma Humano, o mapa canino deu aos pesquisadores um projeto com um claro potencial para uso humano, uma vez que os códigos genéticos para os caninos podem ser igualados, um por um, com os seus homólogos humanos.

A cooperação pode assumir a forma de investigação avançada em novas formas de diagnóstico por imagem ou a manipulação genética, ou qualquer outra atividade mais simples.

Dr. Robert Hardie, um cirurgião da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Wisconsin, voltou-se para o laboratório de ortopedia da faculdade da universidade em 2005, depois de não conseguir curar uma ferida pós-cirurgia na pata de Sam, um wolfhound irlandês de aproximadamente 90kg.

Como muitos outros cães de grande porte com lesões nos coxins plantares, Sam costumava colocar peso sobre o ferimento, causando a amputação de um dedo do pé. A equipe de ortopedia levou um molde do pé de Sam e fez uma bota de espuma revestida de plástico com tiras de velcro. Dr. Hardie mais tarde trabalhou com a equipe para desenvolver aparelhos especializados para lesões do tendão.

É comum a parcerias de várias instituições e, dentro delas, ainda a associação entre vários campos do biomédico ao têxtil. 

Dr. Jonathan M. Levine, neurologista veterinário da Faculdade Medicina Veterinária e Ciências Biomédidas da Universidade do Texas A & M, juntou forças com a faculdade de medicina da Universidade da Califórnia, em San Francisco, para testar um novo e promissor medicamento que bloqueia uma enzima específica que causa danos secundários em nervos espinhais feridos como o causado por choques de terremotos.

Trabalhar com dachshunds e outras raças caninas anãs, que muitas vezes sofrem de lesões na medula espinhal por causa de sua propensão a desenvolver hérnia de disco, recentemente ganhou uma concessão do Departamento de Defesa, que está interessado na aplicação de sua pesquisa aos ferimentos causados nos campos de batalha.

Outro colega do Dr. Levine’s, Dr. Jay Griffin, colaborou com especialistas do Centro de Ciências da Saúde (Health Science Center) da Universidade do Texas, em Houston, para desenvolver uma nova técnica, chamada tensor de difusão de imagens, cuja sensibilidade lhes permite ver com precisão células do cordão espinhal morrer.

A grande aposta é que a ciência veterinária e a ciência médica humana possam combinar esforços para conseguir desenvolver métodos eficientes de tratamento que possam ser usados em todas as espécies. Em algumas áreas isso já aconteceu.

Dr. Hollis G. Potter, chefe do centro de ressonância magnética do Hospital de Cirurgias Especias  (Hospital for Special Surgery), em Manhattan, está trabalhando coma Dr. Lisa A. Fortier da Faculdade de Medicinca Veterinária da Universidade de Cornell University para analisar ferimentos no menisco utilizando modelos ovinos.

Diversas técnicas de diagnósticos por imagem (M.R.I.) possibilitam ver como o tecido do joelho se cura, e quanto esforço ele pode suportar após reparo cirúrgico que tem aplicação imediata para o joelho humano. "Em apenas alguns anos usamos este processo de ovelhas para seres humanos", disse o Dr. Potter.

O percurso inverso é ainda mais rápido. "Tradicionalmente, houve um atraso de 10 a 20 anos entre a medicina animal e a medicina humana", disse o Dr. Weisse Chickdo Centro Médico Animal,em Manhattan, que, durante os últimos anos tem estudado um tratamento para tumores caninos de difícil acesso com uma técnica de nitrogênio congelado que ele aprendeu no Sloan-Kettering.
 
"Essa lacuna diminuiu", disse ele. "Agora você vê transplantes renais, substituições de quadril - coisas que disseram nunca seriam feitas em animais. As coisas estão acontecendo muito rápido e agora é quase simultânea."


Texto original: William Grimes
Tradução: Patricia Naomi Tomisawa





Written by

We are Creative Blogger Theme Wavers which provides user friendly, effective and easy to use themes. Each support has free and providing HD support screen casting.

0 comentários:

 

© 2013 Espaço VetZoo. All rights resevered. Designed by Templateism

Back To Top