quarta-feira, 25 de julho de 2012

Como criar cães em apartamentos e condomínios

11:04


Nas grandes cidades o que não falta são novos e velhos conjuntos residenciais, prédios e condomínios em toda parte, até na velha e boa Mooca onde moro prazerosamente há mais de dez anos. Isso me fez lembrar do saudoso Zé Rodrix e sua adaptação musical em parceria com Sá e Guarabyra de uma frase bíblica: "Ama teu vizinho como a ti mesmo/mesmo que ele faça barulho/mesmo que ele acorde as crianças de madrugada/ele também gosta de silêncio e paz/ele também quer sossego/mas acontece que ele vive num horário diferente do teu". Poderíamos acrescentar: mesmo que ele seja canino, teu vizinho pode te dar sossego e o dono dele pode aprender a ajudar.

Foto: Jon Sullivan
Um canino de apartamento ter sossego significa viver bem, mesmo morando na "gaveta" mais apertada (ou, para citar o sambista Germano Mathias, pode ser aquelas quitinetes que ele chama só de "apartamen", o "to" nem cabe). E, com todo o respeito a Sá, Rodrix & Guarabyra, dar sossego significa ensinar o amado vizinho peludo a saber respeitar o horário alheio, sem "fazer barulho", "acordar as crianças de madrugada" e outros detalhes que vamos lembrar agora.



O bem-estar do canino...

Embora raças caninas de pequeno porte sejam famosas como "cães de apartamento", raças enormes, como o Akita, podem viver muito bem, mesmo "engavetados" — desde que não fiquem enfiados na "gaveta" o tempo todo e passem boa parte do tempo passeando e brincando por aí. Quem vive (relativamente) bem em gaiola é passarinho, e ainda assim a gaiola é grande em proporção ao tamanho do bicho. (Por sinal, a melhor forma de atrair e criar pássaros não é colocando-os em gaiolas e sim plantando árvores, mas isso é outra história.)

Seja qual for a raça, porte ou idade do peludo, ele precisa de, no mínimo, um passeio diário; quanto mais ele se espalhar em pátios, quintais ou praças, melhor — ainda mais se o apartamento for realmente pequeno e a área de serviço for do tamanho de minha unha, apropriado só para o aconchego da hora de dormir. Afinal, como diz a canção, uma casa não é um lar, e para um canino doméstico o mais importante não é a casa, e sim a(s) pessoa(s) que mora(m) com ele. Melhor viver num "apertamento" com um dono ou dona presente que abandonado numa mansão. E tudo tem seu lado bom: sem a comodidade de um quintal grande, o peludo de apartamento sai à rua para estirar a musculatura e ganha mais oportunidades para conhecer novos ambientes, ares, pessoas e brincadeiras.
Como relata o estadunidense Stacey Midge: "Quando nos mudamos de uma grande casa no campo para um apartamento pequeno na cidade, minha cadela passou por um período significativo de ajustes. Ela não estava acostumada com o barulho e o tráfego da cidade, e descontou a ansiedade no meu tapete! Mas com o tempo ela se adaptou às mudanças de espaço e sons — talvez bem mais rapidamente do que se ela tivesse sido dada a uma nova família caso eu tivesse achado que não poderia mantê-la nestas condições. Os sacrifícios de tempo e limpeza de tapete valeram muito a pena para nós duas."

Por falar em dono(a) presente — e eu sei que é teu caso — , é preciso estar atento: caninos de grande porte ou em fase de crescimento estão sujeitos a displasias, ou seja, má formação nas articulações que podem causar até atrofias musculares. Exercício moderado é um dos melhores tratamentos para displasias (além de evitar que o peludo precise enfrentar pisos escorregadios). Mais um motivo, portanto, para o canino dar uma de Gonzagão, ou seja, descansar em casa e morar no mundo.
E, de tão óbvio, é sempre bom lembrar: pelo menos uma vez por dia limpe o cocô e xixi dos peludos, além de varrer os pêlos que eles adoram deixar por aí de vez em quando.

...e o bem-estar dos vizinhos

Tanta gente tem reclamado de cães em condomínios que surgiu a lenda de que aqueles estão, pura e simplesmente, proibidos de viver nestes. Na verdade, o que a lei (nada menos que a Constituição Federal, desde 1988) proíbe é o mau trato aos animais e qualquer ato que comprometa o bem estar dos vizinhos. (Sem falar que não falta gente que, como Cyro Aguiar canta, "só se realiza quando abre a boca para reclamar", seja de cães, de crianças, de música, de silêncio, do calor, do frio, da Lua ou do Sol.) Mais detalhes sobre a legislação para bichos em condomínios clique aqui

De modo que o canino não só pode residir numa boa com seu dono em condomínio, como também deve ser educado para não latir fora de hora (ainda teremos uma matéria sobre isso), não fazer suas necessidades em locais indevidos (idem), muito menos atacar quem mal acabou de conhecer (sobre isso já falamos). E a lei assegura ao cidadão o direito de viver em seu apartamento com mais de um cão — desde que dentro do bom senso em termos de comodidade e asseio para todos, cuidando inclusive de banho, tosa e vermifugação regulares e da medicação, caso necessária. (Lembrei-me de um saudoso primo de minha mãe que mantinha em seu apartamento quatro cães de pequeno porte, incluindo um Chihuahua mais feroz que uma turma de Pitbulls.)

Você já deve ter se lembrado daquelas duas ilustres palavrinhas feitas uma para a outra: "posse responsável". O cão só deve andar de coleira e focinheira pelas dependências comuns do condomínio se for feroz e de grande porte. Sim, qualquer canino pode e deve usar o elevador (mas somente o de serviço), especialmente se tiver algum problema de saúde e/ou estiver idoso. Obviamente, o canino, bravio ou não, deve estar sempre limpo, o que beneficia não só o ambiente, mas também a ele próprio. Não se esqueça de limpar toda a sujeira que o cão fizer, nem de assumir os danos que ele acaso causar. Inclusive, como já lembramos e noutra ocasião iremos comentar melhor, eduque-o para não latir sem motivo das dez horas da noite às seis da manhã.

Não seja um condômino dono de bicho anti-social ou alienado, daqueles que só põem a culpa no governo e no mundo mas não fazem a parte que lhes compete. Participe regular e ativamente das reuniões e assembleias, não deixando que decidam nada — inclusive coisas ilegais como proibição sumária da presença de animais domésticos — sem seu conhecimento. Aos mais implicantes, mostre as carteiras de vacinação em dia e argumente que os condôminos peludos podem até contribuir para a segurança do lugar — inclusive diminuindo a carga de trabalho do zelador!

E, ótimo lembrador que sou, ainda em clima de ano novo, penso ser oportuno lembrar de meu Reveião do Milênio, que passei em Búzios com uma trinca de gatinhos recém-nascidos órfãos de pai e mãe, e que precisei levar comigo de São Paulo. Obviamente, condomínios não podem proibir bichos de estimação, mas pousadas e hotéis reservam-se esse direito. Como sempre digo, verifique se aceitam hóspedes consideravelmente mais peludos que Tony Ramos. Antes de viajar, telefonei para a pousada que aluguei e expliquei a situação. Responderam "Ahn... tudo bem, mas o senhor é o responsável." No fim, adivinhem: tive de "lutar" contra o pessoal da pousada, que queria os gatinhos de presente...

Fonte: Vida de cão
Texto: Ayrton Mugnaini Jr.

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