segunda-feira, 28 de maio de 2012

Projeto Dr. Escargot leva socialização e cidadania a alunos da rede pública

13:30


Molusco é utilizado como terapia em escolas para estimular a cidadania

Alunos observam o escargot, que é fonte de estudo para várias disciplinas (Foto: Divulgação)  


De aparência que em nada lembra um animal de estimação, o escargot vem exercendo uma missão importante para cerca de 400 crianças do município de Pirassununga, no estado de São Paulo. Considerado uma iguaria valiosa na culinária de alguns países, no Brasil, o molusco vem atuando como protagonista do projeto Dr. Escargot, cuja missão é a de auxiliar na socialização de jovens estudantes da rede pública, trabalhando, até mesmo, a questão do bullying nas salas de aula. A iniciativa foi idealizada em 2000 pela professora Maria de Fátima Martins, no âmbito da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP).


“O objetivo era escolher um animal diferente e levá-lo para as escolas, trabalhando inicialmente com crianças especiais, criando novas interações e quebrando paradigmas. O escargot prende a atenção dos jovens devido aos seus movimentos lentos, obrigando as crianças hiperativas a fixarem o olhar nele. Nós ensinamos a alimentá-lo, mostrando que toda forma de vida merece respeito. Ou seja, acabamos por entrar nos aspectos da cidadania e do lado ético. Além disso, devido às suas características fisiológicas, dentro da escola o escargot é silencioso, não dá trabalho como um cachorro, por exemplo, afetando muito pouco a rotina dos alunos”, explica.

Ao longo do contato com o animal, um conjunto de processos cognitivos é ativado, estimulando a percepção e a atenção das crianças. “Ensinamos a não julgarem as coisas e os seres só pela aparência. Isso passou a ser muito importante na socialização dos jovens, chamando a atenção para o respeito às diferentes formas de vida e para a questão do bullying. O projeto Dr. Escargot também vai aos asilos, mas lá fazemos uma proposta diferente. Levamos as conchas desse bicho e, junto com o terapeuta, ela serve como artesanato”, orgulha-se a veterinária.

Com o financiamento inicial da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o projeto já capacitou mais de 70 estagiários desde a sua criação, incluindo também a participação de uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogos, educadores, médicos, psiquiatras, pedagogos, terapeutas ocupacionais e biólogo, dentre outros. “Hoje estamos com uma média de 20 pessoas trabalhando no projeto Dr. Escargot, atendendo cerca de 400 crianças. Na escola, o animal é usado em várias disciplinas, da aula de história, onde é estudada sua origem, à de biologia, na qual o professor pode falar sobre a sua anatomia. Ou seja, o escargot se incorpora ao conteúdo e a atividade que o professor nos pede”, destaca a docente.

Muco do escargot possui propriedades medicinais

Não é só para as escolas que o molusco vem trazendo benefícios. Nos laboratórios da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP são desenvolvidas várias pesquisas que buscam isolar as propriedades cicatrizantes e antimicrobianas do muco do escargot. “Por meio da tese de mestrado de uma de nossas alunas, estamos utilizando o muco do animal para o tratamento da mastite, doença que acomete as tetas das vacas, causado pela bactéria Staphylococcus aureus, que demanda o uso de antibiótico para eliminá-la. Por isso estamos testando com grande sucesso o muco de escargot como um antibiótico natural, evitando resíduos para o leite como acontece nos antibióticos sintéticos”, enfatiza Maria de Fátima.

Fonte: Globo Ação

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