sexta-feira, 20 de abril de 2012

Animais têm cemitérios exclusivos no interior de São Paulo

08:53

Quem tem um animal de estimação dentro de casa normalmente cuida com carinho e ele, inclusive, entra para o álbum da família. Muitas vezes são anos de convivência. E como qualquer ser vivo, uma hora também morre. Daí vem a pergunta: o que fazer com o bichinho? Em algumas cidades, como Botucatu (SP) e Sorocaba, por exemplo, existem cemitérios exclusivos para enterrar cachorros, gatos e até aves.
O ritual de despedida é semelhante ao de um ser humano, com velório, orações e túmulos. Mas em outras situações, como em Bauru, São José do Rio Preto e Itapetininga, não há locais apropriados. Em alguns casos, as pessoas colocam os animais em sacos de lixo, abrem um buraco em terreno baldio para enterrá-los ou eles são depositados em aterros sanitários.


Lugar para flores e lembranças


Os bichinhos são a cara do dono. Eles adquirem a personalidade de quem os alimenta e dá conforto. No entanto, sempre estão prontos para brincar e receber uma coçada na cabeça. Quando se vão, a dor é sentida pelos “pais”. Foi pensando nisso, que um empresário de Botucatu fundou o cemitério para animais. Tudo começou em 1992 com a morte do ‘King’, Cocker de estimação de Clóvis Bettus. Na época, sem opção para dar um final digno para seu fiel amigo, a sobrinha deu a ideia.

“Após conversar com minha sobrinha, que na época morava em Londres, ela me deu a ideia. Recebi algumas fotos de locais na França, Inglaterra e Alemanha, e comecei a aprimorar a sugestão de abrir o cemitério por aqui”, contou.
Em 2001, o local foi aberto. ‘King’ foi o primeiro a ser enterrado. De lá para cá, além de confortar as pessoas, o negócio passou a ser o “ganha pão” de Bettus. “Até mudei para o cemitério. Construí minha casa para facilitar o meu trabalho”, contou o empresário. A regulamentação do cemitério foi conquistada em 2003.
Atualmente são quase 3 mil animais enterrados. “Tem gato, cachorro e até papagaio. Cada sepultamento custa R$240, mais R$ 125 de taxa anual de manutenção. A partir do segundo enterro da mesma família, o valor cai para R$125”, explicou. Mas a maior perda do empresário foi justamente a morte da sobrinha. Para homenageá-la, o velório “Fiéis Amigos” passou a se chamar “Valéria Cristina”.
Hoje, após os 11 anos de funcionamento atendendo Botucatu e região, o cemitério se tornou referência na região. Os serviços incluem translado do animal, velório, sepultamento com placa de nascimento e óbito, nome e registro de sepultamento e, após três anos, é removido e arquivado no ossário com o número da gaveta registrado em livro e no computador. “Fazemos o ritual completo. Nossa intenção é manter um local para as pessoas sempre lembrarem dos animais de estimação que também fizeram parte de nossas vidas”, comentou.
Em Sorocaba também há um cemitério particular destinado aos animais. O 'Caminho do Céu' é reconhecido em toda a região. O local também conta com um site, onde o proprietário do animal pode pedir ou fazer orações pelos bichinhos. O cemitério também realiza a prática de adoção de animais. No local também é possível fazer um tipo ‘classificado’ com os animais, como venda, compra, pedido de ajuda.
Inaugurado em 2007, um dos objetivos do cemitérios é oferecer um local digno e adequado para o sepultamento dos corpos dos animais de pequeno porte, de forma que as recordações e futuras homenagens sejam possíveis sem que o ecossistema seja prejudicado.
Nesse cemitério os bichinhos podem ser enterrados em jazigos individuais ou em um coletivo. No sistema individual, o sepultamento pode ser acompanhado pelo proprietário. Além disso, sobre o jazigo é permitido a colocação de uma lápide padronizada de identificação.Já no sistema coletivo, retirada do corpo do animal do local do falecimento e o transporte até o cemitério são gratuitos, desde que o local da retirada esteja situado dentro da área urbana da cidade.


Na contramão


Já na maioria das cidades não há locais apropriados. Em Bauru, a prefeitura envia os corpos dos animais para o aterro sanitário. A lei municipal 4.286, de 16 de março de 1998, diz que em caso de falecimento de algum animal, cabe ao proprietário dar a destinação adequada ao
cadáver ou encaminhá-lo ao serviço municipal competente. Os restos mortais dos animais são levadas ao aterro sanitário conforme determina a resolução RDC nº 306, de 7 de dezembro de 2004.
A prefeitura também informou que a coleta domiciliar não recolhe animais mortos, mesmo que embalados. Também não aconselha que as pessoas enterrem os corpos em qualquer local por causa de riscos à saúde pública e ao meio ambiente. Mas por falta de divulgação, muitas pessoas escolhem terrenos baldios para colocar os animais mortos. Foi o que fez a bibliotecária Maria Valéria Bertachini Nascimento. Depois que o vira-lata dela morreu no sábado de carnaval deste ano, Valéria decidiu colocá-lo em um terreno. “Não tinha a informação do que fazer com ele. Como em Bauru não há local adequado, resolvi abrir um buraco bem fundo em um terreno baldio”, contou.
“Toby” teve leishmaniose uma semana antes de morrer. “Ele começou a passar mal, não se alimentava e brincava pouco. Não aguentou. Agora ficou o irmãozinho dele, o Ully”, disse.
Segundo a médica veterinária do Controle de Zoonoses de Itapetininga, Adriana Araújo Simões, o proprietário é responsável pelo cadáver do animal. “Quando ele morrer, o dono pode entrar em contato com as clínicas veterinárias conveniadas com cemitérios de animais, ou até mesmo enterrar no quintal”, admitiu.
A médica veterinária destacou que antes de enterrar os animais é preciso colocá-los em um saco plástico. “Já quando os animais morrerem por apresentarem doenças infectocontagiosas ou suspeita de raiva, o dono pode encaminhar para o setor de Controle de Zoonoses, que eles farão uma análise e darão a destinação correta para o cadáver do animal”.
Em outras situações, por falta de local também, as pessoas enterram os animais de estimação no quintal da própria casa. Em Itapetininga, José Roberto Rocha já preparou o túmulo no fundo de casa. Dono de Nina, de 16 anos e Radija, de 7 anos, o aposentado quer um cantinho bem perto para poder lembrar das duas cadelas. “Tenho um carinho e enorme pelas minhas. Não acho correto enterrar em qualquer lugar”, afirmou.
Quem também é defensora dos animais é a estudante Denise Fukuhara, que atualmente mora em São José do Rio Preto. Ela teve a mesma dificuldade com seus bichinhos de estimação na infância. No caso dela, dois hamsters. “No começo eu acreditava que eram duas fêmeas. Mas depois minha família descobriu que um deles era macho e aí eles começaram a se proliferar. Nasceram uns cinco, seis filhotes, mas debilitados. Um tinha defeito na perninha e era deixado de lado. Este foi o primeiro que morreu, mas num curto período, os outros também foram morrendo”, relatou. Ela também enterrou os roedores no quintal de casa. De vez enquanto, passa pelo local para relembrar os bons tempos.
Os animais não falam, mas ficam tristes e doentes. Seja como for, a melhor coisa é aproveitar a companhia enquanto vivos. Afinal, o melhor amigo do homem pode ser um cachorro, gato, coelho, papagaio, hamsters ou qualquer bichinho. O importante é respeitá-lo até na hora da morte.


Urnas


Em Bauru, José Lemes é um marceneiro que expandiu os negócios. Além de fazer móveis tradicionais, ele incluiu outro item para oferecer aos clientes. “Em 2008 inicie uma pesquisa sobre o mercado de urnas e sobre cemitério de animais. No ano seguinte comecei a fabricação das urnas para animais de pequeno porte”, comentou. As urnas custam de R$ 200 a R$ 300. “Vendo para algumas cidades e também para o Rio de Janeiro”.

Fonte: G1
Autores: Alan Schneider, Lynne Aranha e Megui Donadoni

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