terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Leishmaniose em animais

08:51

A Leishmaniose é uma doença infecciosa, porém não contagiosa causada por protozoários do gênero Leishmania. Há dois tipos da doença, a tegumentar ou cutânea e a visceral. A tegumentar tem como sintomas feridas na pele e posteriormente em mucosas, como nariz e boca. A visceral é sistêmica, acometendo vários órgãos internos, principalmente o fígado, o baço e a medula óssea.


A doença é transmitida pelo Lutzomyia longipalpis, conhecido popularmente como mosquito-palha ou mosquito-birigui. As principais fontes da leishmaniose são os animais selvagens, que abrigam o parasita em seu tubo digestivo, mas os animais domésticos, principalmente os cães, também são hospedeiros da doença.


A pessoa é infectada quando é picada por um mosquito que se alimentou de um animal hospedeiro.

Os sintomas no cão são bastante variáveis, sendo comum o aparecimento de lesões de pele acompanhadas de descamações e, eventualmente, úlceras, perda de peso, lesões oculares, atrofia muscular e, em alguns caso, o crescimento exagerado das unhas. Em um estágio mais avançado, há o comprometimento do fígado, baço e rins, podendo levar o animal à morte. É, por lei, proibido tratar o animal, sendo obrigatória a eutanásia.


Casos da doença foram relatados no distrito de Sousas, em Campinas, interior de São Paulo, e a Agência Notícia Animal conversou com a médica veterinária sanitarista da Coordenadoria de Vigilância em Saúde e coordenadora técnica do programa Leishmaniose Visceral em Campinas, Andrea Paula Bruno von Zuben, para esclarecer a atual situação da doença na cidade e como o trabalho de prevenção está sendo realizado.


Notícia Animal - Onde foi detectado o foco da leishmaniose em Campinas e qual foi o tipo? 


O foco foi detectado em um loteamento residencial situado em área de proteção ambiental no distrito de Sousas, região leste da cidade. O início da investigação se deu após a confirmação de uma cadela positiva autóctone no local. Foram investigados por sorologia 226 cães residentes na área e colocadas armadilhas para detecção do mosquito.


Notícia Animal - Qual o trabalho preventivo em relação aos cães?


Utilização de coleiras impregnadas com deltametrina 4%, como medida de proteção individual para os cães contra a picada do inseto vetor da Leishmaniose Visceral (LVA) e que devem ser usadas ininterruptamente e trocadas a cada quatro meses; limpeza cuidadosa de canis e outros locais de abrigo de cães, com remoção constante das fezes; notificação ao CCZ de cães que desenvolverem sintomas sugestivos de LVA, uma vez que o período de incubação no cão varia de três a sete meses, podendo chegar a um ano ou mais e notificação e encaminhamento ao CCZ de cães que vierem a óbito para exame.


Notícia Animal - Como a doença está sendo contida no bairro?


Realizando a remoção de folhas, frutos e resíduos provenientes da poda de árvores, arbustos, vegetação e gramados existentes nos jardins, quintais, terrenos não ocupados e áreas comuns do loteamento; remoção também da matéria orgânica do solo, proveniente de locais sombreados de modo a não permitir condições propícias para o estabelecimento de criadouros do vetor; remoção diária das fezes dos cães e outros animais, que deverão ser devidamente ensacadas e colocadas no lixo; destinação adequada de matéria orgânica, que não deverá ser despejada em terrenos desocupados; a criação de galinhas e outras aves deverá ser em galinheiros/gaiolas fechadas, com piso acimentado de modo a facilitar a limpeza e higienização diárias, sem acúmulo de matéria orgânica/ fezes e sob a responsabilidade de cada proprietário. A existência das aves soltas pelo local propicia a proliferação indiscriminada de criadouros do vetor, devido ao sombreamento e umidade, natural do loteamento como um todo e pelo fato da comprovação do vetor na área. A existência de animais de criação, como ovinos, suínos, caprinos, em área urbana também se torna foco para a criação e manutenção do mosquito vetor, além de não ser permitida por legislação vigente de âmbito federal, estadual, municipal.


Orientações feitas pelos técnicos através de reuniões para a população local e informes técnicos entregues pessoalmente e por email. Foram também realizadas reuniões de sensibilização de médicos veterinários de clínicas particulares e entregues informes técnicos para veterinários e médicos.


Notícia Animal - O que pode ser feito para evitar também a picada em pessoas? 


Utilizar telas milimétricas em portas e janelas, com o objetivo de evitar a entrada de insetos no interior das residências e usar repelentes de insetos, principalmente em atividades de maior exposição ao vetor, tais como caminhadas ao entardecer e à noite e próximas a regiões de matas. 


Notícia Animal – Qual o número de cães infectados hoje?


Foram 14 casos confirmados no município e mais nove cães reagentes em exames sorológicos da última coleta, realizada em outubro de 2011, que estão sendo investigados através de exames mais específicos.


Notícia Animal - Campinas corre risco de surto da doença?


Como a definição de surto é a ocorrência de dois ou mais casos epidemiologicamente relacionados, conceitualmente vivemos um surto delimitado a um loteamento residencial em Sousas.



Notícia Animal - Quantos animais foram eutanasiados na cidade em 2010 e em 2011? É preciso sacrificar o cão para evitar o surto? 


Dois cães foram eutanasiados em total concordância com os proprietários por já estarem em fase terminal da doença. Em Campinas, estamos trabalhando na lógica de evitar que o cão seja picado pelo mosquito, de forma a interromper a transmissão da doença sem a necessidade de eutanasiar o cão.



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