quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tráfico de animais silvestres

11:32




Cada animal tem direito ao respeito. O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar outros animais ou explorá-los, violando este direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço de outros animais. Cada animal tem o direito à consideração, à cura e à proteção do homem.
(Art.2º da Declaração Universal dos Direitos dos Animais)


O Brasil é um dos países que apresenta maior biodiversidade no mundo. Essa biodiversidade enche os olhos, e o bolso, dos mais ambiciosos desde a época do descobrimento, quando as caravelas que vinham ao Brasil, retornavam a Portugal repletas de peles de onças e aves. Hoje, o tráfico de animais silvestres tornou-se um problema pouco conhecido e seriíssimo, já que é o terceiro maior do mundo, estando atrás somente do tráfico de drogas e de arma. Não existem estatísticas exatas, mas as estimativas são assustadoras. Cerca de 20 milhões de filhotes de aves e mamíferos são arrancados de seus ninhos e tocas todo o ano. Desses, apenas 1% chega ao destino final; o restante morre nas mãos dos traficantes devido aos maus tratos. Ou seja, de cada 10 filhotes arrancados de seu habitat natural, 9 morrem. Os que sobrevivem chegam aos consumidores e, alguns, são recuperados em flagrantes, mas jamais poderão retornar à natureza, condenados a viver em cativeiro. Apesar deste número, o tráfico continua aumentando, pois mesmo assim é um negócio altamente lucrativo, que movimenta 10 bilhões de dólares por ano, dos quais o Brasil participa com 15% aproximadamente.


QUANTO MAIS RARO, MAIS CARO

Esse é a premissa do tráfico de animais silvestres, que hoje é um dos principais fatores do desaparecimento da fauna brasileira. No país, 218 espécies animais encontram-se ameaçadas de extinção, sendo que 7 delas foram consideradas extintas por não existir registros de sua passagem, observação e presença nas matas há mais de 50 anos. No mercado estrangeiro, espécies brasileiras valem uma fortuna e têm três destinos diferentes:


  • colecionadores particulares e zoológicos 
  • fins científicos
  • pet shop`s
Os animais provêm, principalmente, das regiões Nordeste e Norte e são encaminhados para São Paulo e Rio de Janeiro de onde partem para o exterior, geralmente pelos aeroportos de Cumbica e Galeão. Outra saída é pelas fronteiras para Argentina, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Guianas e, principalmente o Suriname, através de caminhões. Aliás, os caminhoneiros, juntamente com motoristas de ônibus e pequenos comerciantes, são os principais responsáveis pelo tráfico interno, que se caracteriza pela desorganização. Já o tráfico internacional é sofisticado, esquematizado e planejado, envolvendo grandes empresas e laboratórios e pessoas milionárias.


UMA QUESTÃO SOCIAL

Moradores de regiões próximas a matas conhecem os costumes dos animai. Por apenas um saco de feijão, por exemplo, eles retiram os filhotes de seus ninhos e tocas e entregam-nos aos pequenos comerciantes. Os filhotes são vendidos para pequenos consumidores em feiras, onde acontece o contato com grandes traficantes. Os animais mais procurados ficam em casas perto das feiras. Os valores de venda internos são bastante baixos quando comparados aos do mercado internacional. A captura de animais silvestres tornou-se um meio de sobrevivência para pessoas pobres, que são exploradas por traficantes.

O dinheiro também leva essas pessoas a atitudes inacreditáveis. Por exemplo, um filhote de papagaio vale muito mais do que um de periquito ou maritaca, pois esse é mais abundante. Os "caçadores" pegam os filhotes de periquitos pintam suas penas e bicos com tinta tóxica, arrancam suas caldas e vendem-nos como papagaios. 


FALTA FISCALIZAÇÃO

O governo, através do IBAMA, não apresenta condições para resolver o problema. Faltam fiscais, infra-estrutura e dinheiro. O IBAMA pode autuar os traficantes quando pegos em flagrante, mas só quem pode prendê-los são as polícias federal, florestal, militar, rodoviária e civil.

Porém, mediante pagamento de fiança, os traficantes são soltos e não respondem a nenhum processo. A única vantagem do flagrante é a recuperação dos animais, que são encaminhados para o CEMAS - Centro de Manejo de Animais Silvestres. O Brasil conta com 18 CEMAS espalhados pelo território. Neles, os animais recebem cuidados médicos, já que se apresentam em péssimas condições, e podem ser encaminhados para zoológicos ou criadouros. Nos criadouros autorizados, os animais apreendidos não podem ser vendidos, mas seus filhotes podem. Porém, o que se tem constatado é que o tráfico está presente até mesmo dentro de criadouros, pois o número de filhotes é superior ao que os casais apreendidos poderiam reproduzir. O que deveria ser um instrumento para combater o comércio ilegal, acabou tornando-se fachada para o tráfico internacional. Por isso o IBAMA e a RENCTAS - Rede Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres - estão realizando uma revisão dos criadouros.

Há pouco tempo, foi criada uma Divisão de Fauna na Interpol (Polícia Internacional). Através dela muitas informações chegam ao Brasil, como por exemplo, a de que estão sendo traficados ovos de animais silvestres para que eles nasçam fora do país e sejam registrados lá. Outra descoberta foi uma feira de animais do mundo todo, realizada em Barcelona, onde há 5 ruas somente com animais brasileiros.


TRABALHO VOLUNTÁRIO SALVANDO VIDAS

A RENCTAS - Rede Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres - é um projeto desenvolvido em parceria com o IBAMA, que objetiva reunir informações e unificar as ações da sociedade civil organizada para contribuir com os órgãos de fiscalização e inteligência nacionais e internacionais para o combate ao tráfico de animais silvestres em território brasileiro. Existente desde 99, ela disponibiliza todas as informações pela Internet, onde também é possível fazer denúncias e se cadastrar como voluntário. "Qualquer um pode se cadastrar. Hoje, temos 14.000 pessoas físicas e 400 jurídicas associadas. Nós disponibilizávamos todas as informações, mas descobrimos que entre os associados estavam os próprios traficantes.", conta Cecília Fernandes, representante da RENCTAS em São Paulo.

Os membros da RENCTAS são todos voluntários e trabalham para divulgar o tráfico e descobrir novas informações sobre o mesmo. "Também procuramos pressionar as autoridades para que haja leis mais rigorosas que, no mínimo, dificultem o esquema dos traficantes. O problema é que existem políticos envolvidos com o tráfico.", revela Cecília. Um instrumento muito importante no combate ao tráfico de animais silvestres é a denúncia de feiras e locais suspeitos.

Fonte:  Eco Viagem

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