quarta-feira, 31 de agosto de 2011

De galinhas a urubus

11:18


Ao comemorar 25 anos de atividades, o Ambulatório de Aves da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP celebra conquistas e faz planos para o futuro.

Nos dias 7 e 8 de agosto, o Ambulatório de Aves Prof. Dr. José Américo Bottino da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, celebrou seus 25 anos de existência em um evento que reuniu diversos profissionais para palestras e cursos. Criado em março de 1986, trata-se do único local especializado no tratamento de aves da América Latina e atende uma média de 130 casos por mês.

O ambulatório recebe todas as espécies de aves, desde rolinhas até galinhas vendidas no comércio e urubus. Algumas são encontradas em situações inusitadas, como as galinhas recolhidas por Maria Cristina Soares Rosa, que estavam numa praça, utilizadas para rituais religiosos. “Passei num dia e achei uma. No dia seguinte, fui mostrar o local para o meu namorado e achei a segunda”, conta ela. As duas tiveram quadro respiratório grave e demandaram um tratamento que incluiu antibióticos, anti-inflamatórios e soro para hidratação.


Segundo Antonio José Piantino Ferreira, professor da FMVZ e também responsável pela unidade de atendimento de aves, nesses 25 anos de existência o ambulatório mudou muito suas práticas. Anteriormente, ocorriam principalmente procedimentos empíricos – baseados mais na prática de consultório do que em pesquisas científicas. “O tratamento era feito muitas vezes com medicamentos destinados a humanos ou outros animais, cortados então pela metade ou em quatro partes e depois passados às aves”, exemplifica ele.



Agora, o atendimento é referenciado por preceitos técnico-científicos e os medicamentos são exclusivos das aves. O ambulatório da FMVZ teve papel fundamental nessa especialização farmacêutica, pois explicitou a necessidade das empresas se voltarem para estudos nessa área, que é agora um mercado em expansão. O professor observa que, no evento de comemoração do aniversário da unidade, muitas empresas se mostraram interessadas em firmar parcerias e aproveitar o material clínico para desenvolver novos produtos.


O lado acadêmico – Além dessa importância econômica, o ambulatório também contribui muito para as atividades acadêmicas realizadas na faculdade. Exemplo disso é que muitos trabalhos científicos foram resultado de pesquisas desenvolvida sa partir da prática clínica da unidade. Marta Brito Guimarães, médica veterinária que trabalha no ambulatório há 17 anos, foi uma das autoras de artigo sobre a influência de aves como o papagaio na transmissão de tuberculose ao homem.
O professor Antonio José é enfático ao dizer que a formação de recursos humanos é uma das maiores contribuições do ambulatório de aves. Ele lembra da relevância que possuem as aulas ministradas por profissionais que atuaram no local e que podem, assim, transmitir aos alunos o conhecimento então obtido. “Dá para trazer o que foi descoberto com o caso para a sala de aula, usar como ilustração. Isso é muito bom porque os casos concretos estimulam os alunos”.
Em 25 anos, a bibliografia sobre o tema cresceu, as práticas terapêuticas evoluíram e todo o sistema foi informatizado. Para o futuro, o professor Antonio José Piantino Ferreira espera a construção de um novo ambulatório, com espaço maior para o atendimento das aves.
O Ambulatório de Aves da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnica (FMVZ) da USP funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas. O agendamento é feito pelo telefone (11) 3091-7669 e o valor da consulta é de R$ 50,00. Exames são cobrados à parte.
Fonte: Jornal da USP

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