segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A criação de ursos em fazendas pouco ajuda na proteção das espécies selvagens

11:22



Apesar de todo o sofrimento imputado a animais selvagens, como ursos e tigres, confinados em fazendas de criação, o governo chinês e alguns conservacionistas apóiam este tipo de prática como forma de apaziguar a caça predatória de espécies selvagens protegidas.

Um estudo encomendado pela WSPA, A Stated Preference Investigation into the Chinese Demand for Farmed vs Wild Bear Bile, (Investigação sobre as preferências declaradas dos chineses por bile de ursos de criação versus bile de ursos selvagens) realizado por Adam Button, doutorando na Universidade de Oxford, consultou 1.700 adultos em toda a China acerca de suas preferências quanto a utilizarem a bile de ursos criados em cativeiro e a de ursos selvagens para o tratamento de doenças. A conclusão é que as pessoas preferem a bile de ursos selvagens, chegando a pagar bem mais por este tipo de bile em comparação à extraída de animais criados em fazenda. O estudo também concluiu que aqueles com condições financeiras para adquirirem bile de ursos selvagens não hesitam em comprar o produto mesmo estando a par da oferta de bile de ursos criados em cativeiro a preços bem mais em conta.


A criação em cativeiro não contém a demanda por ursos selvagens

Tal estudo só vem a confirmar as suspeitas da WSPA: a criação de ursos em fazendas é uma prática cruel e desnecessária, uma vez que a comercialização de sua bile não impede a caça das espécies selvagens. “Mais preocupante ainda é a constatação de que os ursos criados em cativeiro podem gerar a uma demanda até maior pelas espécies selvagens”, afirma Dave Eastham, à frente da campanha da WSPA contra a criação de ursos em cativeiro. “A melhor solução é conter a demanda por todos esses produtos terríveis e promover alternativas mais humanitárias. Já existem, inclusive, alternativas para a bile de urso. Temos também que acabar com a caça ilegal”, acrescenta Eastham.

O estudo, que examinou as preferências assumidas por todos os entrevistados, também constatou que se a bile de ursos de criação fosse comercializada a preços bem abaixo dos atualmente praticados no mercado, ainda assim a maioria avassaladora dos seus consumidores optaria pela bile de urso selvagem, mesmo tendo que pagar mais por ela. Agravando ainda mais este quadro, o estudo igualmente concluiu que se a Bile das espécies selvagens for disponibilizada a preços elevados, a competição com a bile de ursos de cativeiro poderá levar a uma procura maior pela primeira. Uma possível explicação para este tipo de comportamento estaria no fato de que com uma variedade de escolhas maior, o preço passa a ter menos importância no processo decisório de compra.

O autor do estudo, Adam Dutton, observa: “As pesquisas evidenciam a preferência das pessoas por produtos de origem mais selvagem da medicina chinesa, a exemplo do já anteriormente observado com os tigres. Pode parecer surpreendente, mas os resultados deste estudo sugerem que é bem possível que os comerciantes de Bile de urso selvagem estejam fazendo mais dinheiro agora do que estariam fazendo se não houvesse a criação de ursos em fazendas”.

Já existem várias alternativas para a bile de urso

Os dados mais recentes publicados pelo governo chinês revelam que existem hoje 7.002 ursos – do tipo negro asiático, em sua maioria – mantidos em fazendas em todo o país, muito embora a indústria oficial de bile de urso e alguns analistas ligados a ONGs garantam que há outros milhares de ursos sofrendo em fazendas chinesas.

A despeito da existência de mais de 65 alternativas à base de ervas atualmente disponíveis, a bile de urso continua sendo utilizada por alguns adeptos da medicina chinesa tradicional para diversos tratamentos, como combate a febres, proteção do fígado, melhorias de visão, quebra de pedras vesiculares e também como antiinflamatório.


“Este estudo desafia a crença de que a criação de ursos em fazendas protege aqueles com vida selvagem,” conclui Eastham. “Considerando o número de alternativas sintéticas disponíveis, não há mais desculpas para o confinamento e o sofrimento infligidos a esses animais. A proteção efetiva desses animais implica a conscientização das pessoas através da promoção do uso destas alternativas, além da repressão à caça predatória ilegal”. 

Fonte: WSPA Brasil

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